terça-feira, 22 de abril de 2008

A importância do discurso

As palavras são importantes. E os discursos têm o poder de mudar as coisas, a vida das pessoas e as motivações. Um mau discurso pode mudar um país. Temos entre nós dois belos exemplos: Para lá da crise económica e financeira houve dois discursos que mergulharam Portugal na depressão colectiva. O discurso do pântano de Guterres e o discurso da tanga de Durão Barroso (isto é giro: a tanga de Durão...)
Mais do que o conteúdo por vezes importa motivar as pessoas. E esses dois discursos mergulharam-nos num estado de depressão nacional do qual ainda não saímos. De repente alguém nos abandonava no meio de um pântano e ainda por cima estávamos de tanga… Ninguém nos queria, não produzíamos nada, éramos maus trabalhadores e ainda piores pagadores, uns sacanas que viviam à conta do estado… e a economia, que já estava má, não conseguiu dar a volta. E pior: não se conseguiu empatia suficiente com as pessoas para aguentar medidas impopulares.
O discurso é de facto poderoso. Os americanos ainda têm muito a tradição do discurso. E os discursos são aguardados com expectativa. O Presidente americano tem algumas alturas do ano em que fala com as pessoas, discursando. É aí que motiva as pessoas para o que virá e é aí que faz o balanço do que aconteceu, concorde-se ou não. Por cá o discurso está muito reduzido ao anúncio de medidas avulsas, ao insulto fácil e à retórica de exercício com repetições de frases feitas e clichés. É raríssimo haver um dircurso mais elevado quer na forma quer no conteúdo.
Barak Obama, H. Clinton e McCain fazem um bom uso do poder do discurso, da palavra. Mas é Obama que tem causado mais sensação. Para além de ter conteúdo (apesar de os seu adversários o tentarem esvaziar com argumentos um pouco fracos),e acima de tudo, ele sabe motivar as pessoas, principalmente os jovens. E isso é, quanto a mim, uma coisa boa. Quer ganhe quer não já elevou a fasquia. Sejamos nós capazes de aprender com estes exemplos. Penso que motivar as pessoas é realmente importante para conseguir mudar algo independentemente das políticas específicas. Senão não saímos do marasmo e do controle de certos grupos de interesse que de facto nos governam.
Hoje são as eleições primárias na Pensilvânia e eu, se fosse americano, embarcava naquilo a que alguns chamam de ilusão colectiva e votava Obama.

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