terça-feira, 9 de junho de 2009

Diário de um radical livre

Querido diário:

Hoje estou triste. Quer dizer... ontem também já estava.

É que houve umas eleições para uma coisa chamada Parlamento Europeu (eu gosto muito desta coisa de estarmos todos juntos na Europa e tentar construir algo juntos..., e gosto que as pessoas circulem e que se possa comprar coisas em todo o lado e trazê-las para casa sem que um senhor da fronteira nos chateie...) e o partido em quem eu votei ganhou o triplo dos deputados que tinha!

Mas estou triste porque agora uns senhores – que perderam – dizem que eu sou da esquerda radical. Eu nisso da esquerda até concordo... agora a parte do radical não percebo... Sempre pensei que os radicais punham bombas nas coisas, tentavam matar os outros senhores e nem sequer gostavam da Europa... Ou então são aqueles meninos e meninas (e alguns senhores tolos de meia idade) que gostam de saltar das pontes com elásticos grossos.

Ora, eu não tenho bombas debaixo do sofá (aliás... nem na garagem), não quero matar ninguém, sou a favor de uma Europa unida e solidária (esta palavra fui procurar no dicionário...), tenho duas filhinhas que levo à escola todos os dias, tomo o pequeno almoço (às vezes até bebo batido de morango), não gosto de apanhar sustos, tomo banho e vou ao ginásio (mas não é para ficar forte e bater em ninguém), leio livros e vejo filmes na televisão (gosto muito do Boston Legal e dos Homens do Presidente), já fui duas vezes aos Estados Unidos e espero lá ir muitas mais porque gosto muito deles, e tanto quanto sei (tento ler os papéis que me dão) os senhores e a senhora que elegi também não são maus nem radicais (pelo menos dois deles até são professores de história!!!). Por isso não percebo... é claro que eu sozinho não elegi essas pessoas, foram precisas mais cerca de 381000 iguais a mim. Será que eles é que são radicais e me enganaram? Se for o caso é melhor chamar a polícia... Se bem que eu acho que não há polícias que cheguem...

É pena que esses senhores me chamem radical de esquerda porque eu até nem desgosto deles – pelo menos comparando com uns que andam para aí vestidos de laranja ou azul e amarelo e que passam a vida a insultar toda a gente e a dizer que não sabemos trabalhar e dizem que estamos de tanga mesmo que tenhamos vestido umas calças às bolinhas... Não sei se estás a ver quem são, querido diário, são os amigos do nosso Presidente – que é muito limpinho e não gosta de falar sobre nada – e do senhor que foi para Bruxelas e perdeu o til do nome e que era muito amigo do senhor que tentou montar uma loja de fotocópias nuns submarinos...

Bem, por agora já chega. Vou fazer pipocas e ver um filme com a Julia Roberts no sofá! Quer dizer, eu vou estar no sofá e ela vai estar no filme... Radical, não?

1 comentário:

m. disse...

eu também quero saber o que é isso da esquerda rradical que elege deputados. é que me lembre ainda nem bombas, nem raptos, nem nada. para rradicais são uma falta de emoção. pode ser que agora em bruxelas comecem a praticar btt ou semelhante.