Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Dias de glória

Isto foi tirado do JN Online... e merece alguns comentários:

Dias Loureiro homenageado em Aguiar da Beira:
A autarquia, liderada por Fernando Andrade (PSD), seu amigo e compadre, decidiu aproveitar o Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas para homenagear todos os autarcas eleitos desde 1974.
Dias Loureiro, antigo administrador da Sociedade Lusa de Negócios, que detinha o Banco Português de Negócios (BPN), é quarta-feira homenageado em Aguiar da Beira, onde nasceu há 57 anos e onde mantém amigos e ligações familiares e políticas.
A autarquia, liderada por Fernando Andrade (PSD), seu amigo e compadre, decidiu aproveitar o Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas para homenagear todos os autarcas eleitos desde 1974.
Acho que já li isto...
Entre eles destaca-se Manuel Joaquim Dias Loureiro, que foi presidente da Assembleia Municipal entre 1997 e 2005 e que no passado dia 27 de Maio abandonou o Conselho de Estado na sequência do inquérito ao caso BPN.
Mau Maria... parece que andamos às voltas...
Fernando Andrade realça que Dias Loureiro "foi e é" uma pessoa muito presente em Aguiar da Beira, onde existe uma das primeiras sucursais do BPN, por baixo da casa onde vive a sua mãe.
Espera ai!!! Debaixo da casa da mãe? Foi comprado, alugado, cedido... ou é só uma coincidência?
"Tem uma vida muito ocupada mas nunca esqueceu a sua terra e as suas gentes. Procura vir com assiduidade e conviver com as pessoas daqui", afirmou à Agência Lusa, contando que esse convívio muitas vezes se estende durante a noite, "para jogar às cartas e ao xincalhão" com os amigos.
Este Loureiro é danado para o jogo...
Na sua opinião, pode "aprender-se muita coisa" com Dias Loureiro, "um homem muito humano, muito sensível aos problemas sociais", dedicando-se, por exemplo, a apoiar crianças abandonadas.
Vou chorar... Se calhar também apoia cachorrinhos de pelo ralo e com cauda cortada...
"É um humanista por excelência, daí a razão porque todos nós o admiramos e temos por ele um grande apreço, porque dele vêm bons exemplos e há-de ser, com certeza, um exemplo a seguir nesta terra e neste país", considerou.
É! É um exemplo. Eu próprio sempre soube isso logo desde o dia em que este senhor honrado mandou a polícia bater em mim e nos meus amigos estudantes à porta do ME!
Por tudo isto, Fernando Andrade está convencido de que, em Aguiar da Beira, "a maioria absoluta das pessoas continua a ter por ele a mesma admiração e não acredita sequer, daquilo que o acusam, que ele tenha alguma culpabilidade".
Inocente até prova em contrário, ou, nalguns casos, mesmo se se provar o contrário.
A mesma convicção tem José Ferreira, comandante dos Bombeiros Voluntários, que apontou Dias Loureiro como "uma referência" para os "soldados da paz" portugueses.
Lembrou que, durante a época em que Dias Loureiro foi presidente da Assembleia Municipal, "os seus honorários todos os meses eram canalizados para os bombeiros de Aguiar da Beira", bem como os resultantes de "entrevistas que dava às diversas televisões".
Façam-no bombeiro honorário...
"Sempre canalizou para esta casa o que podia e o melhor que conseguia arranjar (ou canalizador...), a pensar nos bombeiros e na vila. Quase 50 por cento das viaturas que estão aqui terão um bocadinho da vontade dele", frisou.
Quem conhece Dias Loureiro desde os tempos em que brincava no largo dos monumentos e ajudava os pais ao balcão da mercearia, também recorda a "jóia de criança" que era e a "pessoa excepcional" em que se tornou.
Acrescento: uma pessoa de excepção.
É o caso de Aníbal Ferreira, 76 anos, que se congratula por Dias Loureiro continuar a visitar frequentemente a casa da mãe, de quem é vizinho.
Já fazia falta um Aníbal que comentasse qualquer coisinha...
"Vem muita vez. Este quintal aqui de frente é deles e todas as vezes que ele cá vem eu vejo-o ali. Fico satisfeito quando vejo. Anda mais a mãe, a D. Maria da Luz. É gente impecável", frisou, acrescentando não acreditar "em nada do que dizem dele".
Apesar de ter dinheiro, ainda que "poucochinho", na sucursal do BPN situada a quatro passos de sua casa, não correu a levantá-lo, porque diz "confiar plenamente" em Dias Loureiro.
Outros populares ouvidos pela Lusa confirmam que a polémica em torno do BPN não abalou a confiança no ex-conselheiro de Estado.
Outros populares...
"Continua a ser uma pessoa muito querida da terra", garantiu Rosa Duarte.
"É um grande homem, fez muito pelo concelho. Vem aqui constantemente e auxilia naquilo que pode", acrescentou Vasco Franco, antigo colega de colégio.
Quem pediu isto?...
As eleições foram há três dias e já andam a lavar estátuas?

Quem precisa de humoristas num país assim?...
Só mais um aparte: uma pessoa que assina contratos de milhões "sem saber muito bem o que era" pode não ser corrupto ou criminoso mas então será certamente... incompetente. E que eu saiba não se devem homenagear ou glorificar incompetentes... Já criminosos é outra história.

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Diário de um radical livre

Querido diário:

Hoje estou triste. Quer dizer... ontem também já estava.

É que houve umas eleições para uma coisa chamada Parlamento Europeu (eu gosto muito desta coisa de estarmos todos juntos na Europa e tentar construir algo juntos..., e gosto que as pessoas circulem e que se possa comprar coisas em todo o lado e trazê-las para casa sem que um senhor da fronteira nos chateie...) e o partido em quem eu votei ganhou o triplo dos deputados que tinha!

Mas estou triste porque agora uns senhores – que perderam – dizem que eu sou da esquerda radical. Eu nisso da esquerda até concordo... agora a parte do radical não percebo... Sempre pensei que os radicais punham bombas nas coisas, tentavam matar os outros senhores e nem sequer gostavam da Europa... Ou então são aqueles meninos e meninas (e alguns senhores tolos de meia idade) que gostam de saltar das pontes com elásticos grossos.

Ora, eu não tenho bombas debaixo do sofá (aliás... nem na garagem), não quero matar ninguém, sou a favor de uma Europa unida e solidária (esta palavra fui procurar no dicionário...), tenho duas filhinhas que levo à escola todos os dias, tomo o pequeno almoço (às vezes até bebo batido de morango), não gosto de apanhar sustos, tomo banho e vou ao ginásio (mas não é para ficar forte e bater em ninguém), leio livros e vejo filmes na televisão (gosto muito do Boston Legal e dos Homens do Presidente), já fui duas vezes aos Estados Unidos e espero lá ir muitas mais porque gosto muito deles, e tanto quanto sei (tento ler os papéis que me dão) os senhores e a senhora que elegi também não são maus nem radicais (pelo menos dois deles até são professores de história!!!). Por isso não percebo... é claro que eu sozinho não elegi essas pessoas, foram precisas mais cerca de 381000 iguais a mim. Será que eles é que são radicais e me enganaram? Se for o caso é melhor chamar a polícia... Se bem que eu acho que não há polícias que cheguem...

É pena que esses senhores me chamem radical de esquerda porque eu até nem desgosto deles – pelo menos comparando com uns que andam para aí vestidos de laranja ou azul e amarelo e que passam a vida a insultar toda a gente e a dizer que não sabemos trabalhar e dizem que estamos de tanga mesmo que tenhamos vestido umas calças às bolinhas... Não sei se estás a ver quem são, querido diário, são os amigos do nosso Presidente – que é muito limpinho e não gosta de falar sobre nada – e do senhor que foi para Bruxelas e perdeu o til do nome e que era muito amigo do senhor que tentou montar uma loja de fotocópias nuns submarinos...

Bem, por agora já chega. Vou fazer pipocas e ver um filme com a Julia Roberts no sofá! Quer dizer, eu vou estar no sofá e ela vai estar no filme... Radical, não?

Terça-feira, 5 de Maio de 2009

Vasco Granja (1925-2009)

Com o VG houve uma geração que viu cinema de animação de todo o mundo. Desde a Pantera Cor-de rosa até aqueles filmes de Leste com prédios opressores que esmagavam pequenos homens de plasticina...
Obrigado Vasco.

Aqui fica o tema musical da pantera... para recordar...

Quarta-feira, 18 de Março de 2009

Portas abertas e Portas fechadas

Enquanto o Paulo Portas anda a apregoar que a criminalidade aumentou por culpa de meliantes emigrantes parece que o número de estrangeiros altamente qualificados que chegaram a Portugal em 2008 duplicou em relação a 2007. Se calhar vêm cá roubar os nossos segredos tecnológicos...
Aconselha-se ao dr. Portas Fechadas que se abra ao mundo e deixe de ser bronco e xenófobo - não vale a pena estar com falinhas mansas com pessoas destas, pessoas que se diminuem não pela cor da pele, ou religião, ou dinheiro no banco, mas sim pelas ideias execrandas que teimam em espalhar enquanto vestem a roupagem de 'homens honrados'.

Sábado, 7 de Março de 2009

Tesouras a mais

Se quiser cortar o cabelo basta-me sair de casa e, no meu prédio, encontro logo um cabeleireiro. Mas se não gostar desse posso ir a outro que fica 50 metros acima. Mas se também não me agradar, posso voltar atrás, entrar no mini centro comercial que fica em frente à minha casa e escolher um dos dois estabelecimentos de corte-de-cabelo que por lá há. Se eu for um tipo esquisito posso sair deste centro comercial pela porta que dá para a Avenida da República, andar mais 50 metros e entrar num outro shopping que tem mais 2 cabeleireiros. Se eu for mesmo "chato", atravesso a avenida e vou até ao pé do tribunal (100 metros?) onde tenho de um lado da rua um centro comercial pequenino (anos 80) com 5 (!) cabeleireiros, e do outro lado da rua há outro centro comercial onde vislumbro pelo menos um cabeleireiro... É então que penso que nunca me irei decidir e volto para casa, tomo um banho e deixo o cabelo a secar ao ar. Agora pergunto: uma vez que todos os cabeleireiros que vi tinham no máximo um cliente, será que está tudo tolo da cabeça? Ou será que há um nicho de mercado bom para o negócio de abrir estabelecimentos-de-cabeleireiro-para-ir-à-falência? É a isto que se chama visão de empreendedor? Ou é para apoiar a indústria das tesouras?

Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

A gargalhada

Primeiro fiquei atónito. Depois sorri e abri a notícia para saber mais. Depois dei uma sonora gargalhada. Depois fiquei atónito. Depois fiquei deprimido. Finalmente lembrei-me que estamos no Carnaval.
Tudo isto em cerca de 30 segundos...
Fiquei cansado...
Mas a justiça portuguesa é capaz de isto e muito mais.

Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

Factos da vida.

Estação de serviço (GALP) da Guarda na A23...
Aqui o café (bica e/ou cimbalino) custa 95 cêntimos (no Porto custa 60, no Sabugal custa 50).
Aqui a gasolina está a 1.23 euros (em Gaia está pelos 1.15).
Aqui a pessoa que tira cafés também lava as retretes e encomenda bolos.
Aqui há uma cabeça de javali empalhada, na parede.
Aqui... estou a ficar com uma grande dor de garganta... Mas disso eles não têm culpa.

Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

Sobre a forma de cair

Hoje em dia vivemos, apesar da tentação de dizer o contrário, tempos de liberdade como nunca os tivemos antes. Hoje em dia podemos falar livremente, podemos ler o que quisermos e podemos exprimir opiniões sobre tudo, podemos escolher a nossa profissão, os nossos amigos, podemos escolher a música de que gostamos, podemos mudar de canal e escolher entre dezenas ou centenas de outros, podemos rasgar um jornal e desligar o rádio, podemos votar nos nossos políticos, podemos viajar para quase todo o mundo, podemos, com um simples clic, visitar um museu do outro lado do mundo ou ler um jornal estrangeiro, podemos escolher entre uma mesa de fumadores e não-fumadores, podemos escolher com quem viver, podemos mandar calar o vizinho, podemos ser mandados calar pelo vizinho, enfim... podemos muita coisa.
Mas nem sempre foi assim... Há trinta e cinco anos não podíamos fazer muitas destas coisas. Nem sequer podíamos ter um isqueiro sem pedir licença. Há vinte anos não podíamos falar mal da igreja ou cantar uma versão alternativa do hino. Há dois anos uma mulher tinha que ir abortar na clandestinidade. Há apenas 60 anos cometiam-se atrocidades por essa Europa fora, enterravam-se seres humanos em valas comuns aos milhares. Há dez anos fazia-se o mesmo na Bósnia. Há apenas 90 anos estávamos em guerra. Há menos de 40 anos também...
Tudo isto para dizer que estamos num tempo em que aparentemente temos liberdade crescente. Mas a verdade é que equilíbrio é frágil. O que nos separa hoje do tempo em que era aceitável e até recomendável queimar bruxas não é assim tão espesso que possamos dizer: nunca mais.
Construir demora muito tempo, destruir demora uma fracção de segundo.
A liberdade tem sempre de ser acompanhada por uma enorme, diria mesmo uma gigantesca dose de responsabilidade. Há que ensinar aos nossos filhos que a liberdade tem o preço de muitas vidas e que essas vidas estão aos nossos ombros. Não é para sentirmos as costas a vergar mas sim para andarmos erectos com mais orgulho. Orgulho em nós, que cá estamos a tentar construir e ganhar mais liberdade e orgulho em todos os que nos antecederam.
Essa responsabilidade não deve ser nunca esquecida e a liberdade não pode servir de desculpa para relaxar ou para cometer abusos... A minha liberdade acaba onde começa a liberdade do outro. E todos deveríamos ocupar o mesmo estado/espaço de liberdade.
Sei que nem todos têm a mesma liberdade, nem todos sentem essa mesma liberdade, e porquê? Por falta de respeito de quem ocupa espaço a mais, de quem entra pelo espaço dos outros, de quem se esquece de prezar a liberdade.
Tudo isto parece um pouco críptico mas onde eu quero chegar é à definição de abuso da liberdade. Não é fácil definir quando começa esse abuso. Quando conseguimos dizer que alguém está a abusar... já está, normalmente, a abusar muito... Mas isso tem um preço. Normalmente o caminho é voltar a restringir liberdades. E isso é andar para trás... e é repressor.
Quando um político comete abusos as pessoas deixam de acreditar nos políticos.
Quando alguém divulga o que não devia no youtube, alguém restringe o acesso à internet.
Quando se lançam boatos e calúnias sobre alguém as pessoas deixam de acreditar nas notícias.
Quando a TV nos dá imbecilidades alguém fica imbecil.
Quando há um mau patrão, há um mau empregado.
Quando alguém não vai votar, alguém não é votado.
Quando um indivíduo desiste de lutar... outros três baixam também os braços.
Quando alguém usa a liberdade para atropelar o outro, alguém propõe acabar com a liberdade.

As grandes épocas de restrição de liberdade foram quase sempre antecedidas por épocas de descrédito nas instituições e por uma grande pobreza. Foi assim com o Estado Novo, foi assim na Alemanha de Hitler, foi assim na Itália, é assim em muitos países. Há sempre um caminho fácil para atingir essa massa crítica de pobreza e descrédito. Difícil é o caminho de volta. Pelo meio há sempre uma época de restrição da liberdade e de sofrimento. Durante essa época há heróis e mártires (heróis com azar) que nos inspiram e impulsionam de novo para revolução, para a liberdade.
Mas, pergunto eu, não seria mais racional e inteligente, caminhar em frente? Não andarmos neste constante voltar atrás? Neste estúpido ciclo sem fim à vista? Será assim tão difícil? Se calhar é esta a nossa condição de humanos: dispostos a coisas grandiosas e com capacidades para tal, mas predispostos ao disparate, dominados pela vaidade e egoísmo.
Acho que, para podermos evoluir decentemente enquanto humanos e enquanto país (voltando aqui à nossa terra), não precisamos de grandes valores religiosos, nem sequer de acreditar em Deus, não precisamos de intermediários.
Basta uma grande dose de respeito pelo outro e... um pouco de inteligência.

Nota: O caso Freeport é só mais um caso em que quem vai pagar é a liberdade de todos nós. Todos se portaram mal: a Justiça não funcionou pois foi tão lenta e teve um sentido de timing tal que já ninguém nela acredita, a imprensa (quase toda) continua na sua acentuada curva de descrédito e a ultrapassar a barreira do crime, os políticos continuam também na sua curva descendente por não saberem dizer basta, o Primeiro Ministro (aqui, apesar de tudo, é a parte fraca) pela vitimização em que se coloca.

Uma brisa que me soprava ao ouvido e fazia comichão

Já desde meados de Dezembro que não escrevo nada neste pasquim... Entretanto passou-se um Natal e um ano Novo - ou melhor, estamos num ano novo. Em Dezembro soprava um brisa forte que nos anunciava tempos de crise. Mas também nos anunciava um tempo de esperança: O Sr. Bush ia à vidinha dele: poços de petróleo, vacas, caça, barris de petróleo, laços e rodeos (agora que penso... parece um resumo dos seus 8 longos anos de presidência). Chegou Janeiro e a crise parece que veio para se instalar. Curiosamente aqueles que têm responsabilidades na crise, que não a souberam prevenir ou prever, que fizeram fraudes gigantescas, que andaram a brincar com o dinheiro que não lhes pertencia... agora fazem previsões sobre a duração da mesma... alguns até descem o rating de Portugal... Mas quem são esse badamecos todos para fazerem/dizerem o que quer que seja? Tirando o Paul Krugman esses senhores não me engravidam (aliás nunca me engravidaram...nem engravidariam, agora que olho para baixo!) e como diria o Diácono remédios: «Ide para casa e juizinho... Mas cuidado com os amores...»
Bom ano!

Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

O Natal dos outros.

Apesar de um vizinho meu ter anunciado o início das hostilidades de Natal... em Agosto, a estação está agora quase a atingir o seu auge. As crianças começam a ficar histéricas com os anúncios da TV, os pais desesperam perante a escolha entre o que os filhos precisam (quase sempre coisas chatas e boas) e o que querem (quase sempre coisas divertidas e más), as tias desesperam a tentar arranjar espaço no armário para mais chocolates e estatuetas de porcelana, os comerciantes queixam-se da crise enquanto aviam facturas e recibos, o governo dá as Boas Festas à oposição, a oposição dá as Boas Festas ao governo, o Presidente balbucia umas coisas enquanto come bolo-rei, e eu queria que fosse Janeiro.
Mas há uma coisa que me chateia para lá de tudo o resto. Algo que desperta o pior que há em mim... São as campanhas de beneficência típicas desta época....
Diriam: Mas, Pedro, mais vale nesta época que nunca... E quem precisa agradece...
Eu sei isso.
Mas não me convençam que há alguma real vontade de ajudar por detrás das campanhas Vodafone, Popota, Modelo, Continente, RTP, SIC, TVI, Leopoldina, etc...
Essas campanhas publicitárias custam balúrdios (pelo menos geram emprego...) e rendem uma miséria. Os concertos de beneficência rendem uns quantos amendoins depois de um processo em que todos são pagos menos os artistas (essa classe privilegiada).
O que eu digo a todos os senhores respeitáveis que ganham dinheiro à conta de fingir que querem ajudar os pobrezinhos é: deixem-se de m#rd%s, se querem ajudar... ajudem realmente: dêem dinheiro ou géneros sem publicidades, paguem impostos e não lavem dinheiro em bancos do terceiro mundo...
Em suma, sejam honestos.
Acreditem, se fizerem isso estão a ajudar muito.