quarta-feira, 22 de junho de 2011

Desculpas de mau pagador

O que me irrita na saída do Rui Tavares do BE (sai de independente para “independente”) é a falta de honestidade e a desproporção do acto em si face à suposta causa.
Que ele queria sair já antes das eleições já muita gente sabia – ele lá terá as suas razões, por isso que não venha agora qual virgem ofendida dizer que foi por um “menino” o ter ofendido no fb e não ter pedido desculpa que resolveu sair. Essa foi uma desculpa para abandonar o BE com o máximo de estrondo possível. E ele sabia que iria causar estrondo usando os media (ultimamente bastante hostis ao BE) e as suas crónicas no jornal Público que tem utilizado cirurgicamente para atacar certos dirigentes do Bloco. E ele também sabe que quanto mais estrondo fizer mais longe será ouvido (é a propagação do som...) garantindo um fórum que prolongará a sua vida política e mediática.
Não vou discutir as razões que levaram o RT a afastar-se do BE. Certamente que podem ser muito válidas na sua perspectiva e muito “inválidas” na perspectiva de outros. O que questiono é o oportunismo, o querer causar estragos deliberadamente de uma forma mesquinha e vingativa usando uma questão menor.

O BE vai desde já abrir espaços de discussão com aderentes e não-aderentes culminando num fórum a 10 e 11 de Setembro para discutir novos caminhos. Está tudo em aberto. Que espaço melhor para colocar tudo em questão - até lideranças, porque não? Bom, para o RT esse espaço são os jornais...

Agora outra questão: qual vai ser o espaço político que o RT vai ocupar a partir de agora num novo grupo parlamentar Europeu que não lhe dá tanta liberdade como aquele em que estava até agora? Qual vai ser o seu projecto político (ou é apenas um projecto de promoção pessoal)? E a acção política no PE é possível de ser feita por um indivíduo completamente isolado? E nas eleições europeias concorrem partidos, com projectos e que podem ter, ou não, independentes nas suas listas. Não concorrem indivíduos que “por acaso” estão numa “qualquer” lista de um partido...

É engraçado ver como algumas pessoas são tão sensíveis, coerentes e cheias de princípios éticos nuns assuntos e tão insensíveis, incoerentes e sem princípios éticos noutros assuntos. Por tudo isto o melhor e o mais coerente seria o RT simplesmente vir embora e dar o lugar a outro (não sei em que moldes é que isso se processaria: se passava para o seguinte da lista, se Portugal ficava com um Eurodeputado a menos...)

Só mais uma coisa: devia o Francisco Louçã ter pedido desculpa? Eu não achei o post dele no fb assim tão ofensivo para o RT que justificasse esta atitude. Mas percebo perfeitamente que o RT se tenha sentido ofendido (é perfeitamente compreensível e legitimo). Se calhar o FL devia ter telefonado ao RT e ter esclarecido a coisa. Mas o RT podia ter telefonado ao FL e esclarecido a mesma coisa. Ou se calhar nenhum dos dois queria esclarecer nada. Em discussões nunca se sabe bem quem as começa mas normalmente acabam mal. Mas dado os sinais que o RT vinha a dar acerca da sua vontade de abandonar o BE provavelmente o FL sentiu que não valia a pena e mais valia fazer o jeito ao RT e dar-lhe essa desculpa... Não sei.

Agora está na hora de partir para outra, colocar os egos de lado,  e começar a discussão séria e construtiva para a construção de uma esquerda que possa mudar este país (e a Europa).

quarta-feira, 23 de março de 2011

Andamos nisto.


Um Partido Socialista que ficou em êxtase com a primeira maioria absoluta de sempre e que nunca se conformou de a ter perdido - a democracia é f%d&d@!
Um Primeiro Ministro que transformou determinação em obstinação e que tanto mentiu que acabou por perder o contacto com a realidade enquanto vendia “Magalhães” ao Chavez e armas ao Khadafi.
Um PSD estúpido e incompetente, cujos proveito vêm pela “desgraça alheia”, que não apresenta alternativas nenhumas porque é isso mesmo: um partido sem inteligência e caciqueiro comandado por um “gestor” sem experiência de gestão, um fantoche “penteadinho” ao serviço dos interesses económicos que nos dominam desde o Estado-Novo.

E andamos nisto... quando a realidade é que há alternativas. Não tem de ser assim.

Portugal é governado pela mesma “corja” desde há cerca de 35 anos. Nos primeiros anos após o 25 de Abril foi feita muita coisa boa como – só para exemplificar- o SNS (que ainda continua a ser uma referência). Mas o poder económico neo-liberal foi chegando, foi formando quadros nos “partidos do poder” e finalmente lançaram a sua ofensiva contra todas as conquistas de Abril. Eles estão nos principais partidos, no sistema financeiro, no sistema judicial e na imprensa (que controlam cada vez mais de uma forma descarada). E a estratégia é simples: fazer-nos crer que não há alternativas. O medo. É o “tem de ser assim e quem disser o contrário é um perigoso radical”

Mas há. Há alternativas.

Medo de quê? Dos “mercados”? Sempre que foi anunciado um PEC os juros da dívida subiram. O orçamento foi aprovado com medidas duras de austeridade e... os juros da dívida subiram... Porque o que os mercados querem de facto é ganhar dinheiro connosco (e outros como nós) para recuperar os milhões que perderam na crise económica internacional. Isto porque os “mercados” são pessoas, homens e mulheres reais sem escrúpulos que não pensam em mais nada senão nos biliões que ganham, nos jactos que podem comprar e na cocaína que podem snifar – esta é a realidade triste e a triste realidade. Não podemos compactuar com isto. Temos que nos juntar a países como nós enquanto ainda temos alguma força e parar isto depressa. Mas para isso é preciso coragem e – está visto – o PS já não a tem e o PSD nunca a teve.

Exemplo: se eu peço dinheiro emprestado a um tipo e ele começa a cobrar juros cada vez mais altos de cada vez que lhe peço dinheiro (acho que a isso se chama agiotagem e é ilegal)... tenho duas hipóteses: pagar e calar ou dizer: “ISTO é o que eu vou pagar e nem mais um cêntimo. E se não aceitares... não pago um chavo do que te devo!” Ou seja, paga-se o que é justo e nada mais. Eles, os “mercados” até podem reclamar mas a vida deles é isso mesmo: emprestar dinheiro e ganhar alguma coisa com isso. OK, que ganhem à vontade mas não sejam chulos.
Claro que o mundo é mais complexo do que isto mas ainda assim...

Mas a escolha é simples: a escolha é entre os tipos que nos levaram à bancarrota e vão certamente a levar ao descalabro (porque ele está ao virar da esquina – não tenhamos dúvidas) e os outros. E os “outros” podem ser vários (para mim já sei quem são) mas acima de tudo – não me f%d#m – não são os mesmos.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Cavaco

É incrível a ausência de perguntas em torno de Cavaco Silva.
Mesmo com inúmeros microfones e câmaras de tv o homem consegue nada dizer sobre tudo. E mesmo com tudo isso e muitas perguntas os media conseguem nada realmente perguntar. Só querem declarações. E Cavaco declara: não vou comentar, o PR não deve tomar posição sobre essa matéria, vamos aguardar pacientemente, julgo que o PR deve estar em silêncio neste momento delicado, estou em visita oficial e faço não declarações sobre outros assuntos, etc, etc, etc...

Mas há muito para perguntar a Cavaco: onde andava ele durante os tempos do BPN, qual o seu envolvimento e da sua família no BPN, porque é que segurou o amigo Dias Loureiro no Concelho de Estado até ele tratar de aviar as malas para Cabo Verde onde se encontra agora, o que acha ele dos cortes salariais e de abono de família, o que acha ele do aumento do IVA e congelamento de pensões, porque é que tantos seus ex-ministros estão envolvidos em crimes (BPN, BPP) e o que acha ele disso, o que acha ele da (in)estabilidade política, se já lê livros ou ainda acha uma perda de tempo, como é que num Domingo tinha crianças de bibe (!)  à espera dele numa escola, o que acha ele deste modelo económico inaugurado por si e que tem dados resultados catastróficos, porque é que o bolo-rei já não tem prenda e fava, tanta coisa...

Mas cavaco paira sobre tudo isto como um inimputável. E os media ajudam à festa nada questionando, tornando-me mais do que coniventes, cúmplices. Mas basta ver quem manda na comunicação social em Portugal e percebe-se logo porquê. E os jornalistas - muitos deles a recibo verde - acabam por não ter culpa. estão "à rasca" tal como a maioria dos portugueses.

Já aos outros candidatos, no pouquíssimo tempo de antena que lhes dão, tudo se pergunta. O que acho bem. O problema é este esforço corporativo para reeleger alguém de tão baixa cultura e cujo único mérito parece ser fazer contas de merceeiro... a lápis e mesmo assim errar.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Perturbações no sistema

Não sei bem o que mais me perturba nesta foto tirada em Lisboa perto do Jardim da Estrela: se o buraco (perigoso) em si, se o abandono da coisa, se o engenho do mestre que idealizou esta solução de recurso, se o pensamento sinuoso de alguém que olhando para o buraco (perigoso) o tapa desta forma perigosa, se o facto de podermos estar perante uma obra-de-arte.


De Desvio para o Vermelho

O Outono do nosso descontentamento

Agora que o orçamento aprovado está, PS e PSD começam a nova guerra: a de saber como e quando se vai para eleições. E não interessa o estado das contas públicas, do desemprego, da estratégia económica, de... enfim... Portugal. Aliás nunca lhes interessou.
Em breve, do lado do PS, começarão as vozes que clamam por remodelações do governo - como se adiantasse alguma coisa (mais uns mesitos...), como se ainda houvesse alguma inteligência nas bandas do largo do Rato . E não há, pois um ET chamado Sócrates entrou-lhes nos cérebros e sugou tudo, só ficou aquela parte que manda comer.
Do lado do PSD teremos a dança da Primavera com os pardais à volta do estorninho, à procura do que resta das sementeiras para continuar onde outros ficaram.
São uma praga! E isto não é em sentido figurado. São mesmo uma praga real que nos está a atacar desde há muito tempo.
É confrangedor assistir a certos debates na TV entre essas aves, infelizmente pouco raras, muitas vezes ajudadas por comentadores políticos que não passam de megafones da estupidez - muitos deles com culpas, também reais, no cartório: ex-ministros, ex-secretários de estado, ex-jornalistas, ex-economistas de uma escola que nos colocou na trampa, ex, ex, ex... e actuais aspirantes a outros ex...
Mas a estratégia desses senhores vai ser exactamente essa: atirar areia para os olhos das pessoas, envenenar os olhos com a mentira habitual de que não há alternativas e que não há nada a fazer: ou nós ou o inferno...; remodelações governamentais puramente cosméticas que mais não servem para continuar o saque por mais uns meses (isto do lado do PS), ameaças veementes enquanto se viabilizam orçamentos e outros que tais até provocarem eleições quando virem que podem ganhar algo com isso (isto do lado do PSD).
E nós? Bem... cerca de 70% de nós continuam a dar o benefício da dúvida a essas... pessoas (na realidade são mais pois estou a colocar de fora o PP que tem aquilo a que se chama "inveja do pénis" e o PCP que sofre daquela doença que não nos deixa aprender...)
Se calhar nessa massa há uma parte que não se interessa, outra parte que não percebe onde lhes dói (mas dói!) e uma parte (quero acreditar que seja pequena mas cada vez tenho mais dúvidas) que que ser como eles mas ainda não encontrou oportunidade para também ser FDP.
Não sei. Mas os próximos tempo vão ser clarificadores: ou as pessoas acordam e mudam ou não temos mesmo viabilidade enquanto país.
Mas há, felizmente, alternativas. É só ler as propostas e ver que afinal são mesmo possíveis - nalguns países até estão em prática, com sucesso.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Comissão Parlamentar quer ouvir director da DG Artes sobre atrasos nos apoios - Cultura - PUBLICO.PT

Pelos vistos a Ministra da Cultura anda demasiado ocupada para ir ao Parlamento... Problemas de agenda, diz. E há quem concorde e justifique o injustificável.
Resumindo: a senhora, que até agora não fez absolutamente nada de positivo, que irritou todos os agentes culturais (menos uma ou outra pessoa amiga do PS) pela sua incompetência e inabilidade e aparece de quando em vez para se mostrar em encontros internacionais... não tem tempo para fazer o seu trabalho: responder a perguntas dos que foram realmente eleitos (ela não foi!) acerca dos atrasos, desvios e devaneios a que foi votada a cultura.
Mas para posar na Vogue em vestidos de marca em tempos de... austeridade... já tem tempo.

Depois da falta de disponibilidade de sua Excia foi chamado ao Parlamento o Director da DGArtes. A ver...

Para mais info:
Comissão Parlamentar quer ouvir director da DG Artes sobre atrasos nos apoios - Cultura - PUBLICO.PT

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Israel e as fronteiras de decência.

Aqui fica a declaração da Catarina sobre o ignóbil ataque dos Israelitas a um combóio humanitário em ÁGUAS INTERNACIONAIS.





Nestas questões já não pode haver meias-tintas e compreensão.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Filmes de terror:"O Tio Incontinente"

Esta coisa das medidas extra para acalmar os "mercados" é como a história de um tio incontinente (o Governo) que vai soltando gotinhas fedorentas entre discursos de estado, visitas de Papas com tolerâncias de ponto e inaugurações de eólicas... Vão dando as más notícias às pinguinhas...
Num dia vem um ministro dizer que os impostos não vão mudar e as grandes obras de investimento público não vão parar (nem pensar!). Depois vem outro dizer que se calhar é possível que um dia se for preciso e só em último caso seja aumentado... tipo o IVA... Depois vem outro, que até pode ser o mesmo, dizer que se calhar é melhor parar com os grandes projectos... Logo aparece outro, ou o mesmo, a referir que já pararam, a bem da nação. Depois aparece um outro que não o primeiro, mas talvez o segundo, a dizer que até pode ser preciso subir outros impostos - se calhar voltamos à licença de isqueiro... Logo vem outro - já nem interessa qual - a dizer que se vão manter fieis ao programa de governo (aquele programa que diz o contrário de tudo isto mas que num país com iliteracia elevada... não interessa). Depois insinuam qualquer coisa acerca do subsídio de férias ou do 13º mês...
E assim, o tio incontinente vai deixando gotinhas de xixi por todo o lado. E nós, o povo, somos o sobrinho que vai limpando e pagando as inconveniências, sempre com a esperança de um dia herdar alguma coisa... Só que o tio, ao mesmo tempo que vai mijando, vai jogando e perdendo metade do dinheiro em especulação e outra metade em bordeis com os amigos banqueiros - que até podiam pagar as prostitutas e gigolos mas preferem que seja o Estado(nós) a fazer isso...
E enquanto vamos limpando ainda aparecem uns senhores (amigos dos banqueiros?) a dizer que merecemos, que somos uns calaceiros que andam a viver acima das possibilidades.

No fim... ficamos nós, um cadáver, um pacote de fraldas por usar e um inacreditável cheiro a mijo.

A não ser que se ponha um tio num lar onde seja bem tratado (afinal somos humanos) mas nos deixe em paz.

Filmes de terror: "A troca, o trocado, o outro e o mesmo."

Desde há muito que nos habituámos às trocas e baldrocas do governo PS: Numa semana não podemos parar com as grande obras públicas para na semana a seguir ser imperativo repensar tudo de novo. Num dia não se está sequer a pensar em subir impostos para na manhã seguinte ser necessário faze-lo. Num dia fazem um negócio para no dia seguinte o desfazer . Num dia demite-se um ministro por fazer corninhos, noutro dia apoiam vigorosamente um deputado apanhado em flagrante a roubar(!). Num dia não sabem de um negócio que os envolve (logo, são incompetentes), no outro afinal não sabiam era... formalmente (logo, são mentirosos). Num dia o TGV vai para todo o lado no outro fica a 50 Km de Lisboa e depois... logo se vê.
Falta estratégia?

Também desde há muito que nos habituámos a autofagia, inconsistência, falta de coluna vertebral e temperamento ziguezagueante do maior partido da oposição (vulgo, PSD) que por muitas roupagens diferentes que vista será sempre um partido oportunista, tacanho e clientelista (aliás foram eles que elevaram o clientelismo em Portugal a uma forma de arte no tempo de Cavaco PM).
Faltam ideias?

Também já não nos espantam os ruidosos silêncios de Cavaco, os seus tabus (que apenas servem para manter uma agenda mediática paquidérmica), e os seus "recados" feitos durante os roteiros e visitas aos casos-de-sucesso do Portugal profundo.
Falta decência?

Também já nos habituámos à verborreia diarreica de pessoas como o Medina Carreira (não é meu parente!) e outros ex-ministros que agora exigem "medidas urgentes" mas que são os responsáveis em primeira linha por tudo o que tem acontecido. Eles erraram, eles foram incompetentes... mas agora agem debaixo de uma qualquer capa senatorial conveniente.
Falta vergonha?

É como se o governo fosse uma espécie de ante-câmara de banqueiros e de administradores de grandes empresas (grandes clientes do Estado), ou seja, um viveiro de incompetentes cuja única ambição é serem corrompidos.
É como se o PSD fosse... os anteriores mas ainda menos espertos.
É como se o Presidente fosse o Cavaco.
É como se os ex-ministros fossem parvos e não nos deixassem de vez em paz.

É como se não houvesse nada a fazer... Mas há...

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Realidade à parte...

Realidade à parte... estou a acabar de ler um belo livro do Francisco José Viegas: O Mar em Casablanca.
Um policial que faz lembrar de quando a quando o Montalban e o seu Pepe... não pelas descrições mas pelo "peso" ou gravitas dos dois detectives que, certamente, iriam partilhar com prazer um belo salpicão transmontano, um tinto do douro e uma cigarrilha espanhola enquanto teciam considerações causticas sobre agências de rating e quem ainda as escuta...