sexta-feira, 25 de abril de 2008

HOJE e SEMPRE, 25 de Abril



Hoje é 25 de Abril e a criança acima é um belo cartaz para o evento... É verdade, sou eu! Ou melhor era eu nos anos 70.
No dia 25 de Abril de 1974 eu tinha pouco mais de 2 anos e vivia em Tabuaço. Dessa época não tenho propriamente muitas memórias, apenas sensações. Tabuaço era daquelas terras do interior Norte de Portugal que foram aceitando lentamente a revolução (pelo menos é a minha interpretação das sensações que ficaram dos tempos em que tinha 3, 4, 5 ou 6 anos, e daquilo que os meus pais me foram contando). Hoje é certamente diferente mas lembro-me de silêncios e olhares de incerteza nos adultos ao mesmo tempo de uma alegria inocente nas crianças - eu tinha a mania de fazer comícios em cima das mesas gritando palavras de ordem que não compreendia. Isso já era liberdade. E hoje sem dúvida que vivemos em liberdade. Podemos dizer a nossa opinião, podemos fazer blogs à vontade, podemos fazer reuniões e escolher o partido em que votamos, ninguém nos vai prender se não gostarmos do governo... Mas... E há sempre um mas... Aquele futuro radioso com que os nossos pais sonharam em 74, aquela sociedade culta e informada que saberia escolher o seu caminho... ainda não se cumpriu. Os que fugiram para o Brasil na revolução, voltaram pouco tempo depois para reaver com juros o que nunca lhes deveria ter pertencido, os torturadores da pide foram condecorados anos mais tarde ao lado dos torturados. Muitas pessoas ficaram cansadas de lutar. Muitas pessoas desistiram. Mas... E nestas coisas há sempre um mas... Agora é a vez da nossa geração. Temos novas ferramentas e está na altura de meter mão à obra. Haja vontade de continuar a cumprir Abril. Hoje é a nossa vez e já começámos a ter filhos. Vamos ser mais dos "bons". Pode ser devagarinho mas vamos lá chegar. E se não chegarmos pelo menos ficaremos perto. E se não estivermos perto pelo menos tentámos. E se tentámos... fomos livres.
Viva o 25 de Abril!

terça-feira, 22 de abril de 2008

Desculpem lá mas fico um pouco chateado quando me batem ou insultam…

É verdade! O que é que hei-de fazer? Se calhar é uma mania mas não gosto mesmo de levar porrada. E pronto… se calhar estou a ser picuinhas mas não levo a bem que um tipo diga que sou um inútil, um preguiçoso que só quer chupar o dinheiro dos outros ou até que sou estúpido. Mas é exactamente isto que se passa com Manuela Ferreira Leite (o novo Messias), Rui Rio (o Justiceiro) ou até com Alberto João Jardim (o Escavador Profundo ou blob o construtor). Assim à primeira vista parece-me que estas três personagens têm algo em comum…
Mas porquê este meu ódio, perdão desprezo… por estes tipinhos? Vejamos…
Quando era estudante em Coimbra fugi de uma carga policial ordenada pela Ministra da Educação Manuela Ferreira Leite que tinha sido aprovada com distinção como sendo um dos piores ME de sempre. Década e meia mais tarde eis que a senhora volta à carga para nos assombrar como uma péssima Ministra das Finanças com medidas avulsas para controlar o défice. Claro (!) sempre sob a capa de pessoa séria e responsável.
O senhor Rio é Presidente Câmara da cidade onde trabalho e mostrou desde o primeiro dia como odeia a classe dos artistas (do Porto claro!), a cultura, mas também a cidade que anda a vender aos poucos a privados. Se ele odeia acidade e odeia o património público camarário... porque raio é Presidente da Câmara? Mistério! Nalguns casos como o do Rivoli conseguiu fazer o pleno: deu o teatro da cidade a um privado, paga as contas à mesma e insultou os portuenses (artistas ou não). Mas lá vai dando uns festivais de motores ao povo juntamente com música pimba (música que ele acha que o povo gosta mas que eu duvido que ele oiça…) e assim ganha eleições.
Depois há o senhor do povo profundo… quanto a este a sua existência é só por si um insulto. Basta dizer que num pais normal já teria sido preso há muito tempo por falta de respeito pelas instituições nacionais, pelos portugueses (madeirenses incluídos) e pelo sentido mais básico da decência. Peço desculpa mas não lhe acho piadinha nenhuma.
Estes senhores e senhora têm em comum um partido politico que nos consegue surpreender cada dia que passa. Seria um belo folhetim se não fosse realidade e se não soubéssemos que podem um dia vir a (des)governar Portugal. O partido do povo Profundo como foi definido por Alberto João Jardim. Mas será que o povo quer mesmo ser profundo? E desde quando é isso uma coisa boa? Não seria melhor termos uma sociedade informada, elevada, critica e construtiva? Claro que não... não convém.
Mas os portugueses ainda lutam com a herança genética de quatro décadas de Estado Novo: confundimos responsabilidade, sensatez e inteligência com autoritarismo, teimosia e falta de visão. O sentido de honra foi extinto quando acabou o tonner da fotocopiadora do Ministério da Defesa. É de facto um legado poderoso…
Por tudo isto estou preocupado. Pois tenho a noção que as coisas não estão bem e podem piorar. Já não basta termos o governo que temos, a situação internacional a assombrar-nos... ainda temos o maior partido da oposição transformado num remake de uma telenovela mal escrita ou numa má adaptação do Moita Flores.

A importância do discurso

As palavras são importantes. E os discursos têm o poder de mudar as coisas, a vida das pessoas e as motivações. Um mau discurso pode mudar um país. Temos entre nós dois belos exemplos: Para lá da crise económica e financeira houve dois discursos que mergulharam Portugal na depressão colectiva. O discurso do pântano de Guterres e o discurso da tanga de Durão Barroso (isto é giro: a tanga de Durão...)
Mais do que o conteúdo por vezes importa motivar as pessoas. E esses dois discursos mergulharam-nos num estado de depressão nacional do qual ainda não saímos. De repente alguém nos abandonava no meio de um pântano e ainda por cima estávamos de tanga… Ninguém nos queria, não produzíamos nada, éramos maus trabalhadores e ainda piores pagadores, uns sacanas que viviam à conta do estado… e a economia, que já estava má, não conseguiu dar a volta. E pior: não se conseguiu empatia suficiente com as pessoas para aguentar medidas impopulares.
O discurso é de facto poderoso. Os americanos ainda têm muito a tradição do discurso. E os discursos são aguardados com expectativa. O Presidente americano tem algumas alturas do ano em que fala com as pessoas, discursando. É aí que motiva as pessoas para o que virá e é aí que faz o balanço do que aconteceu, concorde-se ou não. Por cá o discurso está muito reduzido ao anúncio de medidas avulsas, ao insulto fácil e à retórica de exercício com repetições de frases feitas e clichés. É raríssimo haver um dircurso mais elevado quer na forma quer no conteúdo.
Barak Obama, H. Clinton e McCain fazem um bom uso do poder do discurso, da palavra. Mas é Obama que tem causado mais sensação. Para além de ter conteúdo (apesar de os seu adversários o tentarem esvaziar com argumentos um pouco fracos),e acima de tudo, ele sabe motivar as pessoas, principalmente os jovens. E isso é, quanto a mim, uma coisa boa. Quer ganhe quer não já elevou a fasquia. Sejamos nós capazes de aprender com estes exemplos. Penso que motivar as pessoas é realmente importante para conseguir mudar algo independentemente das políticas específicas. Senão não saímos do marasmo e do controle de certos grupos de interesse que de facto nos governam.
Hoje são as eleições primárias na Pensilvânia e eu, se fosse americano, embarcava naquilo a que alguns chamam de ilusão colectiva e votava Obama.